O HORLA

Livre adaptação de Eric Chartiot para o texto
homônimo de Guy de Maupassant

Os limites da realidade e da sanidade são experimentados pelo personagem central da história, numa mescla de teatro e ilusionismo. Esse é o mote que norteia O Horla. Por meio de uma narrativa surpreendente e fortes efeitos visuais, o próprio espectador experimenta sensorialmente a incredulidade nas chamadas leis naturais que regem o sistema do tempo e do espaço.
Nosso protagonista, preso em um desconhecido mundo - ora mágico, ora ameaçador - crê, nele, a presença de um invisível ser nomeado de O Horla.
A adaptação, que compacta as três versões criadas por Maupassant (em 1885, em 1886 e 1887), mantém a atmosfera fantástica idealizada pelo autor, com seu pessimismo e sua hiper-sensibilidade em relação à violência das emoções. O clima intelectual de fin de siècle gerado, com a descrença na ciência e a busca pela compreensão da loucura, marca uma profunda incerteza no âmago do homem, que apresenta, em si, uma instabilidade essencial. O Horla talvez seja um dos mais instigantes contos fantásticos de Maupassant, que existe, segundo Todorov, “a hesitação experimentada por um ser que só conhece as leis naturais em face de um acontecimento aparentemente sobrenatural”.
Assim, o ilusionismo se apresenta dentro de um ambiente dramático, com recursos narrativos e objetos cênicos que ressaltam a duplicidade e dissolução do personagem, propondo ao espectador uma profunda simetria, provocada pelo desconhecimento dos fenômenos apresentados e pelo fascínio da história.

Direção: Paulo Balardim
Ator: Eric Chartiot